Galo de Espora
Vaneira - FÁ
Letra: Júlio Cézar Leonardi
Música: Júlio Cézar Leonardi

Se escuto um galo cantando, anunciando o novo dia, 
fico a imaginar se existe taura igual em valentia;
galo bom vive ao relento, não se abala em chuva forte,
nem se enverga em geada fria e não se entrega até a morte;
desde cedo se conhece quando o galo é bom de espora:
nunca foge de uma rinha, tá peleando a qualquer hora;
sabe a hora e o lugar certo pra debulhar num laçaço
algum garnizé metido, merecendo um talagaço.
 
               Sou igual a esses galos, cantador bem altaneiro;
               e nenhum frango se atreve a cantar no meu terreiro;
               e nenhum frango se atreve a cantar no meu terreiro.
 
Fui criado igual aos galos, nascido para cantar;
podem me partir no meio, mas ninguém vai me dobrar;
eu só curvo meu joelho e só tiro o meu chapéu
pro Pai velho criador, patrão santo lá do céu;
os golpes que a vida traz, vou aguentando no peito;
cada vez que eu levo um pealo, já levanto e me endireito;
o mundo é meu rinhadeiro, pra pelear até onde der,
e o troféu de cada luta é chegar onde se quer. 
 
               Sou igual a esses galos, cantador bem altaneiro;
               e nenhum frango se atreve a cantar no meu terreiro;
               e nenhum frango se atreve a cantar no meu terreiro.
 
“Sou igual galo de espora, que quando bate dá um tombo; 
já levei algum puaço,  também marquei algum lombo ; 
não piso em qualquer poleiro, da lida eu entendo bem; 
não sou mais que qualquer outro e não sou menos também !”
 
               Sou igual a esses galos, cantador bem altaneiro;
               e nenhum frango se atreve a cantar no meu terreiro;
               e nenhum frango se atreve a cantar no meu terreiro.