Nas Águas da Vida
Chamamé
Letra: Dionísio Costa
Música: Luiz Carlos Lanfredi



Quando se rebenta a taipa das nuvens, e o céu desemboca no mundo da gente,
milícias de pingos, ao som de trovões, levam água abaixo, a vida, na enchente;
o vento cantando na quincha das casas é trilha sonora do tempo em bochincho;
animais ilhados, taureando o aguaceiro, que afoga clamores de grito e relincho.
 
Que Deus nos ampare nas águas da vida,
e a crença dos homens não se vá ao fundo;
que a enchente do ódio seja passageira,
e o amor retire o lodo do mundo.
 
 
 
Cada rancho é um porto, esperando a volta do sol, atracando no cais da esperança;
pequenas enchentes inundam os olhos de quem vê a perda que a água balança;
quando a natureza ameniza a fúria, se apaga o luzeiro, se cala o trovão;
é hora dos seres, num mar lamacento, começar de novo, com os pés no chão.
 
Que Deus nos ampare nas águas da vida, 
e a crença dos homens não se vá ao fundo;
que a enchente do ódio seja passageira,
e o amor retire o lodo do mundo;
que Deus nos ampare nas águas da vida, 
e a crença dos homens não se vá ao fundo;
que a enchente do ódio seja passageira,
e o amor retire o lodo do mundo.