Simples Cantador
Vaneira
Letra: Júlio Cézar Leonardi
Música: Júlio Cézar Leonardi




“ Eu vou contar agora como é a vida desse gaiteiro cantador ! “
Carrego a felicidade no meu coração gaúcho, 
sou igualzito a meu pai, não tenho apego por luxo;
qualquer bóia é um banquete, dispenso formalidade;
eu durmo em qualquer pelego, gosto de simplicidade,
e trato todo vivente com respeito e igualdade;
e trato todo vivente com respeito e igualdade.
 
                               
Grandeza, vaidade e orgulho, isso eu chamo de frescura;
riqueza não é defeito, arrogância é que é grossura;
até gosto de aconchego, eu não sou tão rude assim;
mas só quero ter na vida o que foi feito pra mim;
afinal não sobra nada, quando a estrada chega ao fim;
afinal não sobra nada, quando a estrada chega ao fim.
 
Só sou mesmo enjoado é com prenda e com cordeona;
não que eu seja dono delas, elas que são minhas donas;
tanto uma quanto a outra, vive comigo abraçada;
e as que tão na mão dos outros, não chego perto por nada;
gaita e china não se empresta e não se pede emprestada;
gaita e china não se empresta e não se pede emprestada.
 
O cantar é meu negócio, o escritório é o universo;
uso por matéria-prima a inspiração pro verso;
o pensamento e a gaita são ferramentas da lida
e a minha mercadoria é canção pra ser ouvida;
meu endereço é o palco, pelos bailes dessa vida;
meu endereço é o palco, pelos bailes dessa vida.
 
“ De jeito nenhum me entrego, e nada me desanima; 
sou índio xucro, não nego... não me apego a doutrina,
e a fé que eu carrego é o que me determina! ”